[Tecnologia] Novo o sistema de emparceiramento gratuito da LBX

Ô Rei – Clube de Xadrez tem a honra de entrevistar David José Brasil, atual presidente da Liga Brasileira de Xadrez (LBX). A LBX é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2013 com a missão de democratizar a prática do xadrez. A LBX presta um grande serviço para o xadrez do Brasil através da operação de registro de jogadores, manutenção de um sistema de rating e títulos e organização de torneios. Com isso, a entidade oferece uma alternativa não onerosa para movimentação de rating que serve, por exemplo, para competições escolares. 

A LBX foi idealizada por Francisco Ari Maia Júnior (Ceará) e o seu primeiro presidente foi o curitibano Leandro Luiz Krause, seguido de outras lideranças do Nordeste: Agnaldo Melo dos Santos (Pernambuco), Jayme Amorim (Alagoas) e Deive Pacheco (Bahia). Atualmente a LBX conta com um quadro de diretores regionais que participam ativamente da gestão e não possui patrocínios ou financiamentos.

Em 2023, com a liderança do então presidente Deive Pacheco, foi implementado um moderno sistema de dados SQL, acessível para organizadores e atletas. Em 2026, a LBX dá um novo salto de desenvolvimento tecnológico com o lançamento do sistema DiSwiss para cálculos de torneios.

O Diswiss já está disponível para o grande público na Microsoft Store (gratuito) e na Google Play Store (códigos de gratuidades disponíveis para organizadores em condição de vulnerabilidade social).

No dia 13 de abril, o presidente da LBX irá ministrar um curso de Organização e Arbitragem LBX, gratuito para moradores de regiões em vulnerabilidade social.  São fornecidos códigos de gratuidade do DiSwiss Android, para inscritos no curso.

Confira a entrevista com David José Brasil:

  1. Conte um pouco sobre sua história com o xadrez.

Minha mãe me ensinou Xadrez com 5 anos de idade. Tenho Formação em Contabilidade, Psicologia e uma estrada longa na Educação. Desenvolvi especial interesse em luderia como ferramenta de aprendizagem. Sou Professor licenciado da Maior Escola de Programação do Brasil – Super Geek, com experiência em ensino de Robótica, Programação e Xadrez. 

  1. Como começou sua aproximação com a LBX?

Em 2021, meus alunos se destacaram no Campeonato Baiano Estudantil, com 8 Estudantes nas oitavas de finais e minha aluna Yasmim Rosado vice-campeã baiana. O desempenho da minha turminha chamou atenção de dirigentes, na Bahia, foi então que Deive Pacheco, na ocasião Presidente da LBX, me chamou para uma reunião para conhecer meu trabalho e terminou  me convidando para desenvolver o sistema da LBX para  aperfeiçoar  a gestão de dados. Devido ao sucesso do trabalho, hoje me tornei Presidente da LBX.

  1. Como está a LBX em números? Quantas pessoas estão cadastradas? Qual a média de torneios LBX realizados anualmente/mensalmente?

A LBX atualmente conta com 61.950 atletas cadastrados e faz, em média, 80 torneios mensais com curva de crescimento positiva.

  1. Conte uma história de sucesso de algum jogador ou jogadora que utiliza a LBX

“Sucesso” é um termo relativo. Um momento de alegria de um atleta PCD para mim é uma enorme representação de sucesso. Quando pessoas se encontram presencialmente acontecem trocas indizíveis, que o sistema OTB pode proporcionar, isso é sucesso. Se sucesso for entendido apenas como desempenho internacional também temos exemplos de atletas de destaque na LBX, mas, ao meu ver, esta é uma visão reducionista de sucesso.

  1. O que você considera sucesso então?

Dei alguns exemplos na pergunta anterior. O sucesso maior é o desenvolvimento subjetivo, algo que é sempre relativo a cada Pessoa. Acho errático estabelecer metas objetivas de “sucesso” como por exemplo, aproveitamento em torneios, títulos e etc. se pensar assim, poucos enxadristas são bem sucedidos. Sucesso é algo muito maior. Objetivamente, o sucesso da LBX pode ser medido pela quantidade crescente de jogadores e torneios mensais. Porém, no interior de cada Atleta, o sucesso não pode ser quantificado.

  1. Qual a diferença entre o papel da LBX e as Federações? Como a LBX pode contribuir com o trabalho das Federações?

O rating da LBX guarda muita semelhança ao tradicional rating de Federações, com a diferença que a LBX opera em âmbito nacional enquanto as Federações operam em âmbito estadual. No entanto, Federações de muitos estados não movimentam rating próprio e podem movimentar apenas LBX. 

O rating LBX hoje é aceito em programas de incentivos ao atleta de diversas regiões como rating nacional oficial. Por ser mais acessível, a LBX tem um importante papel na popularização do Xadrez.

  1. A LBX, como entidade, é uma oposição política contra a Confederação Brasileira de Xadrez? Como a LBX enxerga a relação entre as entidades?

A Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) é a instituição oficial da Federação Internacional de Xadrez (FIDE, acrônimo em xadrez) no Brasil. Competições organizadas pela CBX têm caráter mais formal, burocrático e oneroso devido ao rigor exigido pela FIDE. Lembra que falei que o rating LBX se assemelha ao rating federativo? Os ratings federativos estaduais sempre existiram em paralelo ao rating FIDE para promover torneios com maior simplicidade e com menos exigências burocráticas. 

Na Bahia, por exemplo, os clubes só movimentavam o rating federativo até os anos 2000. Os ratings federativos sempre conviveram harmonicamente com o rating FIDE na história do Xadrez. No meu entendimento, o rating LBX funciona como um rating federativo, só que a nível nacional e não deve rivalizar com a CBX até porque tem propostas completamente diferentes. Com a CBX, os atletas podem almejar classificações e títulos oficiais da FIDE. A LBX procura popularizar o escore de Xadrez com menos requisitos formais e maior movimentação mensal. São instituições que poderiam trabalhar de forma complementar em prol do xadrez nacional. 

Sabemos que há perspectivas diferentes sobre o assunto. De toda forma, nos ambientes institucionais temos muito cuidado para manter um espaço cordial,  são explicitamente proibidos ataques institucionais ou pessoais. Nestes 13 anos de atuação da LBX, as duas organizações têm trabalhado de forma distante uma da outra, reconhecemos que existem pontos de tensão por trabalhar.  A falta de pontes no passado, não significa que devam haver muros, acredito que temos uma oportunidade de alinhamento no futuro.

  1. Agora, finalmente – você desenvolveu um aplicativo de emparceiramento. Você considera um problema para os torneios presenciais de xadrez o acesso a esse tipo de software? 

Desde antes de me tornar presidente, sempre atendi e acompanhei as dificuldades de Árbitros e Organizadores em relação ao acesso e, sobretudo, operação do software oficial de emparceiramento da FIDE. O DiSwiss é fruto dessas trocas. A ideia é um sistema simples e enxuto, apenas com as funcionalidades essenciais para se organizar um torneio LBX. Um sistema que possa ser inclusivo para novos e antigos Organizadores. Junto com o lançamento do DiSwiss, estamos oferecendo um curso de Organização e Arbitragem LBX, com entrega de certificado com intuito de levar LBX mais longe, além dos centros, onde o Xadrez não costuma chegar.

  1. Conte um pouco do diferencial deste sistema 

 A LBX tem hoje um dos melhores, senão o melhor sistema de Xadrez OTB da América Latina. Como o DiSwiss funciona em celulares e dispositivos Android, o computador pode ser dispensado. É prático, gratuito e acessível. Além disso, o aplicativo funciona offline, o que é ideal para regiões remotas e sem internet. 

Para ter uma ideia, é muito fácil adicionar atletas ao torneio: basta digitar as primeiras letras do nome para encontrar o jogador. Com um clique, todas as estatísticas sobem para o site da LBX. Por outro lado, os atletas, podem acompanhar estatísticas detalhadas como porcentagem de vitórias de brancas, negras, estatísticas de confrontos por adversário. 

  1. O que você acredita que pode mudar depois da adoção do DiSwiss pelos organizadores de torneios?

A ideia do Diswiss é ser prático para incluir. Com a facilidade promovida pelo app, acredito em uma maior adesão e realização de torneios LBX, inclusive em regiões que atualmente não fazem xadrez competitivo. Com isso, aumenta-se ainda mais a popularidade do Xadrez presencial (OTB) e o que a modalidade proporciona: desenvolvimentos de interação, disciplina e respeito.

11. Sobre esse tema, creio que a LBX também deve ter critérios para que um torneio possa ser reconhecido em seu sistema de rating (como publicidade do torneio, arbitragem, nivelamento dos jogadores, etc.). Você pode falar um pouco sobre estes critérios?

A LBX requer que um árbitro/organizador LBX, devidamente certificado, credibilize o torneio, para ser calculado. Depois de subir as estatísticas do torneio pelo DiSwiss, o cálculo ainda precisa de um comando manual para se efetivar. O Presidente tem também o poder de questionar a origem do torneio e refutar o cálculo. Sobre Publicidade, existe a recomendação e abertura para que torneios sejam adicionados ao Calendário, na página principal do site da LBX. Sobre o dito “nivelamento de jogadores”, não há restrições neste sentido.

12. E quais os próximos passos para adoção do sistema?

O desafio agora é promover o uso do app, para isso estamos organizando o  Curso de Arbitragem e Organizadores LBX, ministrado por mim. As aulas acontecerão entre 13 e 15 de abril  entre 21-22h horário de Brasília. Falaremos sobre Leis do Xadrez, DiSwiss, planilha eletrônica e mais. O curso oferece certificado autenticado online e gratuidade para Pessoas em vulnerabilidade social. Todos serão bem vindos, Inscrições: bit.ly/cursolbx

13. Como as pessoas podem apoiar a LBX?

Contamos sempre com a parceria da comunidade no fortalecimento de nosso trabalho. Estamos promovendo uma campanha de apoio ao desenvolvimento  e melhorias do DiSwiss. Convidamos os interessados a doar R$ 50. As pessoas que contribuirem, ganharão uma marcação de Organizador Patrono, que será exibida ao subir seus torneios no Resultados-LBX.
 
Pix para contribuir
DAVID JOSE BRASIL DOS SANTOS
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Ô Rei – Clube de Xadrez agradece a entrevista com David Brasil.

Salvador, 11 de abril de 2026

Entrevista por:
Gina Leite
Vinicius França