Livraria LDM Shopping Bela Vista recebe biógrafos para bate-papo sobre o grande mestre Mequinho e os ídolos baianos Ruth Volkl Cardoso e José Pinto Paiva
Uma multidão no aeroporto do Rio de Janeiro, um desfile em carro do Corpo de Bombeiros, um encontro com o presidente da República e uma volta olímpica no Maracanã, sob os aplausos das torcidas do Flamengo e do Vasco.
Uma sequência como essa seria normal para receber a seleção brasileira campeão do mundo no futebol, mas, em janeiro de 1972, a homenagem se dirigia ao ídolo de outro esporte: o xadrez.
Soa impensável hoje, mas o Brasil já tratou um enxadrista como herói nacional. Era Henrique Costa Mecking, o popular Mequinho, um prodígio do Rio Grande do Sul que foi campeão nacional aos 13 anos e sul-americano aos 15.
Pouco conhecido das novas gerações, Mequinho era uma celebridade nos anos 1960 e 1970. Na música “Super-heróis”, por exemplo, Raul Seixas lança uma pergunta retórica: “Quem é que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez?”.
A história do astro foi recuperada na biografia “Entre Bispos e Reis – a trajetória de Mequinho, um gênio brasileiro do xadrez” (editora Todavia), do jornalista Uirá Machado.
A obra será lançada com um bate-papo em Salvador no próximo dia 13 de agosto, quinta-feira, às 19h, na Livraria LDM Shopping Bela Vista. Participam do encontro Gina Leite, biógrafa da enxadrista baiana Ruth Volkl Cardoso, e Rogério Paiva, filho de José Pinto Paiva, maior campeão do xadrez na Bahia. A conversa será seguida por uma sessão de autógrafos com o autor de “Entre Bispos e Reis”.

No livro, Machado reconstrói a infância de Mequinho, narra seu desenvolvimento no jogo, conta como ele chegou a terceiro do ranking mundial e foi sério candidato a campeão do mundo, mas abandonou os tabuleiros em 1979, aos 27 anos, em decorrência de uma doença.
A biografia ainda relata a rotina de Mequinho num seminário no interior de São Paulo, quando o enxadrista tentou virar padre, e acompanha os passos mais recentes do astro, que tem 74 anos e mora em Taubaté (SP). Até hoje ele é considerado o maior enxadrista da história do Brasil.
Em seu passado glorioso, Mequinho conviveu tanto com Pinto Paiva quanto com Ruth Cardoso.
Primeira mulher brasileira a se tornar mestre internacional de xadrez, Cardoso (1926-2000) venceu sete vezes o campeonato brasileiro e duas vezes o sul-americano. Ela também fundou a Federação Bahiana de Xadrez e ajudou a fomentar o esporte de diversas maneiras – inclusive trazendo materiais de estudo do exterior.
Pinto Paiva, por sua vez, venceu o campeonato baiano por 16 anos consecutivos. Além disso, foi bicampeão brasileiro (1966 e 1971) e enfrentou Mequinho nas duas vezes em que o prodígio levantou a taça, em 1965 e 1967. Pinto Paiva perdeu uma partida e empatou a outra.
Juntos, os três jogadores popularizaram o xadrez no Brasil e levaram o esporte à capa dos jornais, muito antes de “O Gambito da Rainha” resgatar o charme dos grandes confrontos nos tabuleiros.

